sábado, 23 de novembro de 2013

Oh Lisboa...

Ohh Lisboa
Oh Lisboa estranha em que me perco a fazer trabalhos durante horas e horas para na apresentação decidir ir a exame,
 Oh Lisboa que me desfazes o sonho de ter uma empregada, quando me “dás” uma que me deita o almoço para o lixo (por ordens do senhorio) que fiz carinhosamente na noite anterior…
 Oh Lisboa que me obrigas a comer uma bifana com uma qualidade de m**** comparada às do meu Alentejo mas a um preço que deixaria os porquinhos vangloriar-se …
Boa Lisboa, já tou atrasada para as aulas…
Oh Lisboa em que torço o pé e penso ir de metro em vez de ir a pé…
oh Lisboa em que não posso comprar uma passagem de metro porque tenho 0.15 centimos no cartão e em vez de carregar com 1,40 eur so posso comprar no mínimo cinco euros -.-‘
Oh Lisboa que eu não tinha os cinco euros e vim a pé …35 minutos de pura morte pézaria Oh Lisboa que me dás castanhas à borla no caminho para casa
Oh Lisboa que me mostras imagens bonitas no caminho
Oh Lisboa que me fazes rir ao ver caloiros com placas cheias de mensagens positivas “Hoje é o dia; Sorria , tem um sorriso lindo; o que dizem os seus olhos?”
Oh Lisboa que me deixas ver uma sem-abrigo a vasculhar no lixo do mc, me disparas a consciência, fazes com que entre no mc e compre dois hamburgueres..saio do mc, não se vê a sem abrigo, falo com toda a gente para saber se alguem a viu, após andar cerca de duzentos metros para trás, encontro…dou-lhe os hamburgueres…ela recusa.
Oh Lisboa ao menos tentei, agora tenho de fazer o esforço de comer o que vai culminar numa manifestação de células adiposas nos meus glúteos…merda Lisboa, merda!
 É oficial Lisboa…temos uma relação de amor-ódio, gosto da tua beleza e simplicidade, gosto das grandes conversas das senhoras mais velhas nos autocarros, gosto de ver as praxes na rua (faz-me sentir em casa), gosto das paisagens urbanas e movimentadas, da agitação ,das oportunidades, mas…Lisboa…odeio o teu outro lado…
 Odeio ter de dizer constantemente “não tenho moedas” , odeio ter de passar por sem-abrigos e permanecer indiferente, odeio tentar oferecer ajuda e não quererem… odeio… não sei se por puro egoísmo ao querer impingir a minha ajudar para aliviar a consciência ou se por saber que aquelas pessoas que poderiam ser nossas mães, pais, filhos,avós, chegaram a um ponto em que é mais dignificante vasculhar os restos de comida no lixo do que aceitar a ajuda de alguém desconhecido…até que ponto é o orgulho algo benéfico, até que ponto aquelas pessoas foram humilhadas, excluídas e mal tratadas ao ponto de não quererem , de não pedirem, de não viverem…
Bolas Lisboa, temos de nos adaptar não é? Talvez um dia a nossa relação seja mais saudável, mas hoje Lisboa, não me peças isso.

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