sábado, 23 de novembro de 2013

As chaves da nossa vida

Certa vez, um grande senhor (não de altura mas de grandeza de espírito) disse “sabem como conseguem saber se estão a amadurecer? Vejam o vosso molho de chaves, quantas mais tiverem, mais responsabilidade terão e, por consequência mais sábios serão”. A ideia parecia-me engraçada mas não o suficiente para me debruçar sobre ela- pelo menos até agora. As chaves abrem e fecham portas, assim como nós buscamos oportunidades, procuramos os nossos objectivos, definimos caminhos ou pelo contrário, eliminamos as rotas que nos parecem afastar do que queremos, e desviamo-nos daquilo que outrora nos parecia a porta certa e agora não faz mais sentido. Há as de todas as formas e feitios, de todas as cores, assim como as problemáticas da vida: temos as cor-de-rosa – as românticas, as amarelas- da diversão, as pretas- do luto, as brancas- da paz , as vermelhas – DO BENFICA claro está… enfim um cem número de cores que em todos os aspectos se assemelham com aquilo que temos de lidar. Temos as simples – prateadas e douradas que têm um certo tom mágico mas acabam por fazer tudo o que as outras fazem- são o lado prático e simplista da vida, e ainda as ornamentadas que representam tudo o que de mais complexo há neste mundo – toda a arte, a cultura, tudo o que nos envolve e dá beleza ao mundo que vivemos. Seja qual for a chave que tens, vermelha ou preta, simples ou complexa, ela representa uma decisão entre o passado e o presente, uma escolha – esta casa ou aquela, aquele carro ou o outro, aquela caixa do correio, aquele cacifo, aquele baú de recordações, aquele diário, aquela velha arrecadação que está fechada à tanto tempo que não se sabe se é melhor abrir e dar uma arrumação desgastante ou deixar como está. Assim funcionamos nós, com a nossa capacidade de escolher o que desejamos: podemos abrir portas antigas ou novas, podemos fechá-las, podemos mudar a fechadura, podemos mudar a chave, podemos até mudar o objecto que ela abre mas esse objecto, essa chave, essa fechadura vão mudar-nos. Vão fazer-nos crescer, porque no fundo não importa a fechadura, não importam os objectos, importa sim aquilo que mudou em nós, essa decisão que nos afastou ou nos aproximou do nosso caminho, se a chave foi positiva para nós vamos dar-lhe um valor sentimental, vamos sentir-nos felizes- é o que acontece com as pessoas que chegam e marcam, com os objectivos que atingimos. Se for negativa vai ficar no fundo de uma gaveta a ganhar pó, vamos esquecer-nos dela num café, perdê-la na rua ou simplesmente tentar não pensar sobre ela- é o que acontece com as pessoas que ficam pelo caminho, com as desilusões que enfrentamos, com os problemas que não parecem ter solução. É através das “chaves “ que crescemos , é através delas que construímos a nossa identidade, com sucessos e sobressaltos, mais ou menos responsabilidades, com alegrias e tristezas, com substituições ou reposições- obrigado a todas as chaves que passaram pela minha vida, graças a vocês e para bem ou para o mal, fizeram de mim o que sou hoje. Agora começa uma nova etapa, aparecem novas chaves para se juntar às anteriores, as boas ficarão, quanto às que já não abrem as portas certas está na altura de se substituir. Cátia Mantas 4/9/2013

Sem comentários:

Enviar um comentário