sábado, 23 de novembro de 2013

Idade vs competência - a história de uma geração semi-condenada

Idade não define maturidade , assim como não define competência. Já vi muitos "adultos experientes" fazer asneira da grossa, assim como vi, uns quantos jovens executar projectos invejáveis e de grande envergadura. Entristece-me perceber que neste mundo , muitos projectos dos mais novos não andam para a frente e não recebem o devido valor por não terem a dita "experiência" que supostamente só vem com a idade . Engraçado mas sem ter nada de graça... se há boas ideias e pessoas capazes e com vontade de as executar, porquê dar a velha desculpa? Estamos a incutir nos jovens a ideia de que não vale a pena lutar, de que há demasiados constrangimentos, demasiadas barreiras a ser ultrapassadas quando no fundo... esses jovens de hoje são o futuro de amanhã. E sinceramente, não quero viver numa sociedade cuja única filosofia seja o "deixa andar" ou "porquê fazer se outro pode fazer?" . E porquê ? Porque vai ser uma geração inteira a brincar ao conformismo e a ficar presa a uma realidade que não tem de ser a sua.

Oh Lisboa...

Ohh Lisboa
Oh Lisboa estranha em que me perco a fazer trabalhos durante horas e horas para na apresentação decidir ir a exame,
 Oh Lisboa que me desfazes o sonho de ter uma empregada, quando me “dás” uma que me deita o almoço para o lixo (por ordens do senhorio) que fiz carinhosamente na noite anterior…
 Oh Lisboa que me obrigas a comer uma bifana com uma qualidade de m**** comparada às do meu Alentejo mas a um preço que deixaria os porquinhos vangloriar-se …
Boa Lisboa, já tou atrasada para as aulas…
Oh Lisboa em que torço o pé e penso ir de metro em vez de ir a pé…
oh Lisboa em que não posso comprar uma passagem de metro porque tenho 0.15 centimos no cartão e em vez de carregar com 1,40 eur so posso comprar no mínimo cinco euros -.-‘
Oh Lisboa que eu não tinha os cinco euros e vim a pé …35 minutos de pura morte pézaria Oh Lisboa que me dás castanhas à borla no caminho para casa
Oh Lisboa que me mostras imagens bonitas no caminho
Oh Lisboa que me fazes rir ao ver caloiros com placas cheias de mensagens positivas “Hoje é o dia; Sorria , tem um sorriso lindo; o que dizem os seus olhos?”
Oh Lisboa que me deixas ver uma sem-abrigo a vasculhar no lixo do mc, me disparas a consciência, fazes com que entre no mc e compre dois hamburgueres..saio do mc, não se vê a sem abrigo, falo com toda a gente para saber se alguem a viu, após andar cerca de duzentos metros para trás, encontro…dou-lhe os hamburgueres…ela recusa.
Oh Lisboa ao menos tentei, agora tenho de fazer o esforço de comer o que vai culminar numa manifestação de células adiposas nos meus glúteos…merda Lisboa, merda!
 É oficial Lisboa…temos uma relação de amor-ódio, gosto da tua beleza e simplicidade, gosto das grandes conversas das senhoras mais velhas nos autocarros, gosto de ver as praxes na rua (faz-me sentir em casa), gosto das paisagens urbanas e movimentadas, da agitação ,das oportunidades, mas…Lisboa…odeio o teu outro lado…
 Odeio ter de dizer constantemente “não tenho moedas” , odeio ter de passar por sem-abrigos e permanecer indiferente, odeio tentar oferecer ajuda e não quererem… odeio… não sei se por puro egoísmo ao querer impingir a minha ajudar para aliviar a consciência ou se por saber que aquelas pessoas que poderiam ser nossas mães, pais, filhos,avós, chegaram a um ponto em que é mais dignificante vasculhar os restos de comida no lixo do que aceitar a ajuda de alguém desconhecido…até que ponto é o orgulho algo benéfico, até que ponto aquelas pessoas foram humilhadas, excluídas e mal tratadas ao ponto de não quererem , de não pedirem, de não viverem…
Bolas Lisboa, temos de nos adaptar não é? Talvez um dia a nossa relação seja mais saudável, mas hoje Lisboa, não me peças isso.

As chaves da nossa vida

Certa vez, um grande senhor (não de altura mas de grandeza de espírito) disse “sabem como conseguem saber se estão a amadurecer? Vejam o vosso molho de chaves, quantas mais tiverem, mais responsabilidade terão e, por consequência mais sábios serão”. A ideia parecia-me engraçada mas não o suficiente para me debruçar sobre ela- pelo menos até agora. As chaves abrem e fecham portas, assim como nós buscamos oportunidades, procuramos os nossos objectivos, definimos caminhos ou pelo contrário, eliminamos as rotas que nos parecem afastar do que queremos, e desviamo-nos daquilo que outrora nos parecia a porta certa e agora não faz mais sentido. Há as de todas as formas e feitios, de todas as cores, assim como as problemáticas da vida: temos as cor-de-rosa – as românticas, as amarelas- da diversão, as pretas- do luto, as brancas- da paz , as vermelhas – DO BENFICA claro está… enfim um cem número de cores que em todos os aspectos se assemelham com aquilo que temos de lidar. Temos as simples – prateadas e douradas que têm um certo tom mágico mas acabam por fazer tudo o que as outras fazem- são o lado prático e simplista da vida, e ainda as ornamentadas que representam tudo o que de mais complexo há neste mundo – toda a arte, a cultura, tudo o que nos envolve e dá beleza ao mundo que vivemos. Seja qual for a chave que tens, vermelha ou preta, simples ou complexa, ela representa uma decisão entre o passado e o presente, uma escolha – esta casa ou aquela, aquele carro ou o outro, aquela caixa do correio, aquele cacifo, aquele baú de recordações, aquele diário, aquela velha arrecadação que está fechada à tanto tempo que não se sabe se é melhor abrir e dar uma arrumação desgastante ou deixar como está. Assim funcionamos nós, com a nossa capacidade de escolher o que desejamos: podemos abrir portas antigas ou novas, podemos fechá-las, podemos mudar a fechadura, podemos mudar a chave, podemos até mudar o objecto que ela abre mas esse objecto, essa chave, essa fechadura vão mudar-nos. Vão fazer-nos crescer, porque no fundo não importa a fechadura, não importam os objectos, importa sim aquilo que mudou em nós, essa decisão que nos afastou ou nos aproximou do nosso caminho, se a chave foi positiva para nós vamos dar-lhe um valor sentimental, vamos sentir-nos felizes- é o que acontece com as pessoas que chegam e marcam, com os objectivos que atingimos. Se for negativa vai ficar no fundo de uma gaveta a ganhar pó, vamos esquecer-nos dela num café, perdê-la na rua ou simplesmente tentar não pensar sobre ela- é o que acontece com as pessoas que ficam pelo caminho, com as desilusões que enfrentamos, com os problemas que não parecem ter solução. É através das “chaves “ que crescemos , é através delas que construímos a nossa identidade, com sucessos e sobressaltos, mais ou menos responsabilidades, com alegrias e tristezas, com substituições ou reposições- obrigado a todas as chaves que passaram pela minha vida, graças a vocês e para bem ou para o mal, fizeram de mim o que sou hoje. Agora começa uma nova etapa, aparecem novas chaves para se juntar às anteriores, as boas ficarão, quanto às que já não abrem as portas certas está na altura de se substituir. Cátia Mantas 4/9/2013

Não é justo, avô

Não é justo, avô
 Não é justo... teres-me ensinado o que era certo e o que era errado quando eu teimava fazer o errado
 Não é justo tentares sempre dar-me aquilo que não tiveste e aquilo que tinhas dificuldade em ter
 Não são justas as brincadeiras ao jantar, os comentários de sportinguista ferrenho contra a benfiquista ferrenha
 Não é justa a forma como sempre tens lutado para manter a família unida e melhorar a vida de todos à tua volta
 Não é justo teres ganho tantas batalhas ao longo da vida, aquelas a que os mais fracos se renderiam facilmente e até os mais fortes teriam dificuldade de enfrentar
 Não é justo remares contra a maré pagando com sofrimento
 Mas acima de tudo não é justo quereres falar, andar e aproveitar aquilo que conquistaste e não poderes, não é justo estares à mercê da sorte, do destino e de outras tantas coisas que não dependem de nós simples humanos, não é justo dependeres de cada bip,de cada máquina , de cada tubo.
Não é justo, ninguém devia passar por isso e logo tu!

 Que tudo passe, que tudo ande, que tudo melhore...

 "La esperanza es la ultima que se pierde"

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os 20's

A vida é no mínimo curiosa: tão depressa queremos crescer, tirar a carta, ter um emprego que gostemos, tomar decisões sobre o nosso destino, como passados uns anos ficamos presos à sensação de que não sabíamos no que raio nos estávamos a meter. Com os anos crescem as responsabilidades: damos um pontapé numa pedra e saem de lá 20 trabalhos da universidade para fazer; queremos trabalhar naquilo que mais gostamos mas as ofertas resumem-se a call centers, empregados de limpeza e afins. Passamos anos a estudar, a gastar dinheiro em propinas, a investir na nossa formação. Para quê? Muitos abandonam o país e deixam para trás tudo aquilo que um dia os fez feliz, partindo sem certezas com a esperança de demonstrar aquilo que no próprio país não lhes deram oportunidade para mostrar. Podemos tirar a carta de condução e até ter um carro mas subitamente aparecem as contas do seguro, combustível , despesas de manutenção… tudo coisas agradáveis que nos fazem pensar quão bom era o velho triciclo, trotinete ou bicicleta que deixámos a ganhar pó na garagem. Queremos viajar, mas o dinheiro não estica, os sonhos da volta ao mundo parecem agora tão inalcançáveis que nos conformamos, imaginando como seria se em vez de estarmos a gastar energias a planear todas as actividades do dia-a-dia, estivéssemos no outro lado do mundo a relaxar, a conhecer, a divertirmo-nos. Queremos aprender mas não aquilo que os outros estão dispostos a ensinar, queremos sempre mais, mas por preguiça não procuramos e permanecemos assim burros por vontade própria “Ah se eu lesse um artigo sobre aquele assunto”…Se’s , eles vão consumir-te até não teres mais por onde escapar. Queremos fazer exercício mas o dia é limitado e na correria entre o que temos e o que devemos fazer, acabamos por deixar para o dia seguinte. Pedem-nos que tomemos decisões e desejamos ardentemente que alguém as tome por nós, não queremos pensar, não queremos planear, porque pensar esgota…ah se esgota. Esgotamo-nos, levamo-nos ao limite até não termos um tempinho para nós. Queremos acudir a todos os altares, mostrar que conseguimos conciliar vida amorosa, vida estudantil, vida profissional, vida social (especialmente a nocturna), até que percebemos que algo tem que ficar para trás. Por cada decisão que tomamos há um caminho que se forma e outros mil que são deixados para trás e o mais cruel é que permanece sempre a dúvida “será que deixei a coisa certa para trás?”. No meio do desespero dás por ti num ciclo “eu não tenho porque não posso, não posso porque não tenho”, sempre o mesmo, “outra vez arroz”. Mas a partir daí percebes que tens de tomar uma atitude, és tu quem comanda a tua vida, és tu quem decide o que podes ou não fazer e acima de tudo és tu que crias as tuas oportunidades. Não há emprego? Cria o teu ! Tens que tomar decisões? Elas vão ser úteis no futuro, alguma coisa hás-de aprender! Queres adiar os trabalhos da universidade? Adia, vais sofrer as consequências e vais aprender com a lição!Queres ter tempo para tudo? Organiza-te! Queres sair com os amigos? Sai! Agora é a oportunidade para fazeres tudo o que não podias fazer antes e o que não poderás fazer depois. É a época em que podes errar , em que podes aprender , em que podes aventurar-te, em que podes mandar tudo à fava e seguires o teu caminho. Não vai ser com 60 anos que vais viajar, não foi certamente com 9 que saíste à noite, não é com 90 que vais abrir uma empresa, não é com 7 anos que vais passar os melhores momentos com a paixão da tua vida, não é aos 40 que vais abandonar a família para partires em busca de ti próprio. Por isso vive, aventura-te, vai à luta, não te deixes vencer pela crise, pelos que menosprezam, pelos que não têm a coragem de arriscar, pela conjuntura mundial, pelos problemas sociais, pelos preconceitos, pelas verdades absolutas e incondicionais. Aproveita : os 20’s são realmente os melhores anos da tua vida! CM